28 novembro 2014

A pressão faz você querer que tudo acabe.
E daí você conta os dias pro fim, os almoços que faltam,  os dias úteis. E reclama, pensando que tudo é ruim.

Então o as coisas passam a se amenizar ou você aceita melhor os problemas. Mas já é o fim, já acabou, já passou.

Cada dia é o fim de algo e por um desses dias já não existe mais nada.

É por isso que eu odeio finais.


Hoje foi um final fake de terceiro ano. Tinha espuma,  gritos estridentes, lágrimas,  abraços e minhas apostilas.
Nunca gostei de finais, de despedidas,  de quando as pessoas se debulham em lágrima se algo vai mudar. Talvez seja insensibilidade, mas sempre achei que lágrimas remetessem a algo triste e melancólico,  talvez até mesmo dramático.

Tudo o que eu mais queria era acabar com tudo isso e, por incrível que pareça,  acabou. Sabia que iria sentir um certo vazio,  mas ver tudo acontecer é tão... estranho.

As saudades vão ser das aulas motivacionais, de estar naquela específica sala, naquele específico colégio, naquela época. Tenho saudades de épocas e sentimentos,  não especificamente pessoas. É o que eu acho mais estranho em mim.

Épocas,  momentos e lugares são construídos sem a interferência tão direta das pessoas. As coisas simplesmente acontecem e é esse o melhor delas.

10 novembro 2014

I hate endings

Eu odeio finais. Deve ser por isso que sempre parto deixando tudo pela metade.

Esse fim de semana fiz meu primeiro ENEM. Claro que tiveram as polêmicas de sempre envolvendo questões, o coelhinho da Mônica,  o dedo de Platão,  os atrasados e os desenhos da Miley Cyrus em cima de uma wrecking ball; o que realmente fez feliz por ter feito a prova e ter participado disso. Dicas para serem lembradas pras próximas provas:

Uva sem sementes, mais agilidade no segundo dia do ENEM, porque a redação e a prova de matemática requerem mais tempo. Ler primeiro a pergunta e depois o texto.

Em outro aspecto, logo terei de me despedir do ensino médio. Foi,  de fato, uma tortura o ano de aulas chatas improdutivas, almoços solitários na sala de aula e pouco aprendizado com muito cansaço. Apesar de tudo isso vou sentir saudades imensas dos professores que trataram a sala com  carinho,  pessoas que estavam preocupadas com o futuro de uma geração.  Todos os conselhos juntos que provavelmente nunca mais terei, a compreensão e o apoio.

Fujo das coisas pela metade porque não tenho coragem de dizer adeus. Talvez porque eu queira não ligar pra não sofrer.

Eu odeio finais.

11 outubro 2014

Xuros

Finalmente acertei em uma receita.

Hoje acordei bem tarde pro normal, nove e meia. Depois, algo na minha cabeça disse "FAÇA AGORA, SE NÃO DEPOIS VAI FICAR COM PREGUIÇA", então peguei uma receita de churros no Tudo Gostoso, fiz o beijinho de sempre com uma lata de leite condensado que estava aberta jogada na geladeira e provavelmente ninguém iria comer nunca mais e comecei a medir os ingredientes pra não me arrepender de novo de ter feito algo que precisa fritar.

Então, eis o que saiu:

Com ajuda de uma daquelas canecas de sopa/chá, 200ml de água entrarão em uma panela média. Depois da caneca seca do um pano de prato, ajudará a mesma quantidade, agora de farinha de trigo normal, sem fermento, a entrar no recipiente.

Depois, uma colher de sopa de açúcar, uma colher de sopa e manteiga e uma colher de sopa de sal. 
E FOI AI QUE EU ERREI, PORQUE ESQUECI DE DIVIDIR A RECEITA PELA METADE. FICOU BOM, PORÉM, MAIS SALGADO DO QUE DEVERIA ESTAR.
O correto seria meia colher de açúcar um tanto generosa, meia colher de manteiga um tanto generosa e meia colher de chá de sal, nem tão generosa assim.

Em fogo médio, a mistura de água + manteiga + açúcar + sal vai ficar totalmente líquida, e então entra a formosa farinha de uma vez, sendo essa mistura mexida bem rapidinho e cozida até ficar homogênea, firme e desgrudando totalmente da panela.

Claro que a panela, se não for antiaderente, pode ficar horrível. Quando a massa estiver pronta deve ser deixada em um recipiente a parte e a panela, que vai receber uma mistura de água e detergente, será colocada no fogo e todo o fundo de massa grudada, com a ajuda de uma colher, vai se amolecer e soltar.

A parte tensa vem agora: fritar. O óleo, além de ser ruim pra saúde (descobri que, conforme reutilizamos esquentando ele, o teor de gordura trans sobe), é perigoso e pode desandar tudo, por isso todos os seus segredos devem ser desvendados antes de manuseá-lo. Nem sempre da pra saber tudo sobre ele, então pelo menos se esquivar dos seus ataques.

As bolinhas de massa se transformarão em cobrinhas bem fininhas e compridas e menos de um dedo de óleo, em uma panela grande, vai esquentar bem em fogo médio-alto. Quando uma parte miúda da massa entrar em contato com o óleo e começar a fritar, é hora de jogar as cobrinhas (ou nematoides), duas por vez. Ao serem giradas, vão tomar cor e, quando bem douradas, serão jogadas em cima do papel toalha.

Jogadas ao açúcar e canela, com brigadeiro, leite condensado, doce de leite, beijinho, vão suprir o vazio existencial de toda uma geração.

Ps: o churros normalmente tem um aspecto de massa crua por dentro.

07 outubro 2014

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Estranho como certas vezes não há nada para sentir.

Tudo o que fiz esses últimos dias foi esperar tudo passar - as aulas tediosas em particular. Nada foi muito emocionante ou significativo. Claro que existir é algo com sua própria magia e glorificação, mas é um grande desperdício de vivacidade existir desta maneira.
Quando se vive constantemente focado em seu Eu interior, tudo parece extremamente comum e voltado a realidade presente. Parece que todo o diferente e possível some das vistas, como se o que todo o mundo fosse uma enorme ilusão. Temos de nos relembrar constantemente: isso é água. Isso é água.

Acho que a rotina nos faz perder essa capacidade de se dar conta de isso é água.


Deixando a parte reflexiva da vida um tanto para o lado, gostaria de procurar energia - parece que a minha se esvaiu e nem sei como recuperá-la. Parei de escrever por um tempo e parece que minha velha forma de escrever frases duras, sem sentimentos e chatas voltou (ou nunca tinha ido embora).

Para falar a verdade, não sei o que escrever aqui. A apatia é grande.

Para falar a verdade, considero esse ano um grande fracasso. Apesar de ter tido meus 20 segundos de coragem insana, ter começado a ter uma certa independência das pessoas (ainda insuficiente, diga-se de passagem), ter meu tempo tomado com algum lugar para estar - o que me prepara para algum desses planos de futuro que algumas pessoas consideram normal e ideal -, sinto que não fiz quase nada por mim. 

Lembro quando tinha um vício magnético grau 7 em computador e meu cérebro me deixava ansiosa para voltar, porque se não voltasse iria perder algum detalhe e isso seria horrível. 

Isso tudo vale a pena?

Vale a pena ignorar o mundo pra terminar um algo que alguém te cobra e você não gostaria de fazer? Vale a pena deixar de passar tempo com pessoas porque não pode parar? E vale a pena estar constantemente em movimento, porque se parar as coisas mudam sem você perceber?

Um grande desejo pela humanidade é que todos vivessem de acordo com suas aptidões, que todos identificassem aquilo que realmente amam e explorassem toda a sua capacidade naquilo que fazem. Isso sim seria um intenso sabor de liberdade.


Engraçado como eu enjoo do que escrevi quando releio. Mas me recuso a apagar.

Testando

Faz um bom tempo que não venho aqui.

Por mais que as provas tenham tomado grande parte do meu tempo e da minha energia, acho que me esqueci um pouco de como é escrever para mim mesma, tomando um tempo para me organizar e entender o que se passa dentro de mim.
Meu, Minha, Me, Mim. Eu.
Perdi a prática de como escrever sobre o mundo em primeira pessoa de forma não tão egoísta.

Tenho levado a vida como quase todo mundo: dia após dia, esperando acabar. O fim não seria da vida em si, é claro, mas o momento em que você almoça para se manter vivo, se mantém acordado pra não levar bronca do seu chefe/professor, mantém uma posição de tortura por necessidade de alcançar algo que nem sempre existe.
A única coisa que me faz viva no momento é a volta das séries e a descoberta do MasterChef. Pode parecer ridículo, mas depois de tanto tempo fazendo algo que simplesmente não me proporcionava nenhuma diversão e muito estresse desnecessário, isso ajudou.


Arnaldo Antunes - Contato Imediato

https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=ZOgeWOds-Ek