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17 dezembro 2015

Use protetor solar nos teus gatos




A minha versão de vida boêmia inclui pijamas largos rasgados (com todo bom charme de um belo rasgo, é claro), carência de sapatos e a playlist da Glória, além de um anel de joaninha no dedo indicador da mão esquerda.

Próxima semana vou deixar essa cidade grande pakas pra visitar um destino há muito conhecido, nos confins do Mato Grosso do Sul. Uma das partes mais gostosas das viagens de uma pessoa ansiosa, se me permite dizer, é aquela em que você tem de escolher as tranqueiras essenciais e então compactá-las de um jeito mágico - é nessas horas que todos sentimos carência de Marie Kondo em nossas vidas.
Cada põe-tira que acontece sempre que sobra algo essencial e falta espaço pode resultar em um momento mágico em que TUDO CABE. Você tem certeza que na hora de voltar não vai caber maaaaaaassss QUEMMMMMM LIGAAA.

Esse ano ainda cometi um equívoco terrível, veja bem: uma moça disse que "a depilação a lazer é a libertação da mulér" e eu sempre pensei que nascíamos livres. A gente cresce e descobre que tem uma caralhada de coisas que é esperado que façamos - se livra desses pelos, se livra dessa gordura, se livra dessas celulite, se livra dessas estria, bota um bojo, credo menina com espinha, credo menina com roupa larga, credo credo credo. Tem uma linha PSICOLOGICAMENTE tênue entre o que nos sentimos bem fazendo e o que nos sentimos obrigados a fazer porque não queremos ser a velhinha dos gatos, mas você só vira a velhinha dos gatos se for velhinha e gostar muito de gatos. É ótimo gostar de gatos.

Parece até que ser livre agora requer esforço e dinheiro, eu em.


 

04 novembro 2015

Facebook: matar ou morrer

Acordei com esse sentimento de que estou ficando velha e já atingi minha cota de stalker-matadora-de-tempo-triste-por-não-ser-melhor por uma vida inteira. Solução: deletar esse monstrinho que é o Facebook.

Quer dizer, não que ele ainda tivesse utilidade pra mim, mas sempre me prendi a ideia de que aquele feed de notícias era útil ou quem sabe alguém no mundo precisaria me contatar mas... não. O feed pode ser substituído por cominho em pó um visualizador de feeds desses que se acoplam com o navegador e, se alguém realmente quisesse me contatar, já teria me contatado nos últimos 216 meses.

Pode ser simples revolta com a falta de vontade pra fazer qualquer coisa além de assistir Daria, comer doces e fingir, dentro da minha cabeça, ser uma cidadã de valor ou qualquer coisa parecida, mas deletar um facebookzinho não faz mal a ninguém. Até te deixa mais livre, sem aquele comichão nos dedos pra digitar "fa" e dar enter no campo de URL do Google Chrome, liberto pra ler somente notícias que te interessam, e o mais importante: não se pegar sorrindo com a matéria de cima quando a próxima é sobre mais um resultado da falta de empatia do ser humano.

Ah, como nós complicamos nossa vida.
Sempre nos prendendo a qualquer coisa que pareça estável.
Acumulando inutilidades.
ISSO NÃO NOS TRAZ FELICIDADE.

30 outubro 2015

Um rascunho sobre a luta contra a procrastinação

Construir uma rotina quando não existe algo empurrando (leia-se obrigações) é uma das tarefas de desafio mais difíceis desde que o ser humano é essa pessoa tão cheia de ambições sobre o conhecimento. Temos teorias, vídeos motivacionais, fé, pesquisas científicas, mas o que realmente conta, senhoras e senhores, é a determinação; como se fosse fácil assim. Longe de ser preguiça, é só o instinto biológico de homeostase mental ou físico de inércia - será que Newton procrastinava? E Marie Curie?

Digamos que eu tenha testado muitas fontes de informação esse ano - sites, aulas em vídeo, livros, apostilas, tabelas, tópicos, esquemas, blá blá blá - e cada um teve sua durabilidade enquanto eu tentava entender uma matéria sempre por vezes desinteressante, principalmente quando já estava cansada de empurrar conteúdos abaixo via goela. Eis o fato: somos mais produtivos quando 1) Temos uma rotina, 2) Estamos desesperados (geralmente essa quer dizer que a prova é amanhã ou o vestibular daqui duas semanas) 3) Quando é por/para alguém.

Uma rotina cumprível não combina com distrações, fome, cansaço, dores, tecnologia (salvo em casos de conteúdo online, o que requer um pouco mais de controle) e viroses.

O que mais funcionou foi ter uma mesa perto da janela, livros com capítulos coloridos e com algumas imagens e bons textos (do tipo que se pode entender e ler por uma hora sem precisar se perguntar quem diabos é Pepino), poucas questões no final do capítulo (fazíveis em pelo menos uma hora no total, dissertativas de preferência, tipo o livro Geografia Geral do Brasil), sanidade mental, canetas coloridas, boas aulas em vídeo (nerkie, Jubilut, Se liga nessa história). Quão é o desespero de terminar um capítulo e ver que vai passar a tarde toda resolvendo a página de exercícios porque não quer sentir que faltou algo. De fato, nunca terminei aqueles exercícios todos. 

O saldo final disso tudo é que essa cobrança tão grande em nós mesmos e depois a decepção por não ter conseguido fazer tudo é tão insana; somos nós lutando contra nosso próprio corpo a cada desafio, de novo e de novo. Claro que não vamos culpar os historiadores que escrevem as apostilas ou quem é que mandou deixar tudo em preto e branco, porque no final realmente depende só da nossa própria determinação, mas vamos tentar de tudo antes de cogitar desistir ou entrar em um mar de martírios.






26 outubro 2015

"Tudo o que é preciso para que as forças do mal prevaleçam é que bons homens e mulheres não façam nada." (Edmund Burke)

Depois de ter uma breve taquicardia pela possibilidade de chegar atrasada (mesmo faltando uma hora e o caminho levar menos de vinte minutos), terminei o segundo dia de um fim de semana que pareceu ter passado em um estalar de dedos, mas que deixou seus resquícios físicos bem claros. A prova foi enorme como o ano passado, aparentemente mais difícil e o tema da redação não poderia ter sido melhor.

Pra falar a verdade, pensei em:
Malala Yousafzai
Simone de Beauvoir
Tavi Gevinson
Emma Watson (#ElesPorElas) --> Edmund Burke
AzMina
Nana Queiroz --> Presos que Menstruam, #NãoMereçoSerEstuprada
#PrimeiroAssédio

E não usei nada disso. Que morte horrível.

De qualquer forma, me desprendi do pensamento de que o único caminho possível ou desejável seria entrar na faculdade x no curso y, porque aprendizado pode vir de qualquer lugar, porque aprendi mais sobre enfrentar medos, sobre conhecimentos básicos de sobrevivência e convivência em sociedade fora da escola do que jamais iria aprender dentro dela. É que quando a gente cresce como geração Z tem a visão de que o sucesso vem como destino de caminhos específicos e não aprende a buscar a felicidade no caminho para outras estradas; afinal, é tão difícil mudar de direção quando tudo ao redor é escuro e imprevisível.


A música não tem nadavê mas quem se importa